«Agradece a escuridão do teu dia, pois é nela que encontrarás a luz de que necessitas para viver.»

Quando a noite cai sobre o meu olhar
E a lua beija a minha face
O meu olhar é dominado pela paixão
Que me prende à noite infinita

Procuro no mais fundo do meu íntimo
A razão desse feitiço
Porque haveria ser escolhida
Para tão nobre missão

Pelas estradas sóbrias, isentas de luz
Sigo solitária meu caminho
Escutando a voz dos meus paços
E aquela sensação de haver alguém
Dá-me a vitalidade para continuar a andar

Recordo tudo o que abdiquei
E interrogo-me s valerá a pena
Desperdiçar uma vida
Viver um massacre
Por amor a uma crença

O medo de fracassar apodera-se de mim
Vejo-me tentada a largar a espada
Render-me às súplicas da carne
Que não aguenta mais dor

O céu escurece negando-me a luz
Correm-me lágrimas pelo rosto
E vejo-me envolvida em mais um acto de puro masoquismo
Em que todo o ódio, toda a raiva
É expelida por esta alma
Tão já farta deste corpo fraco

Mais uma vez tenho de escolher
A carne ou o espírito
Ter de abdicar de uma das partes
Para satisfazer totalmente a outra

Relembro os meus companheiros
Que não aguentaram a pressão
A dedicação absoluta ao espírito
As ínfimas dores da carne
Que para não desonrarem os seus valores
Entregaram a sua espada à Morte
Vêm-me à memória nobres corações
Que em prol de um valor
Morreram em sua defesa
Manchando as espadas dos oponentes

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