«Agradece a escuridão do teu dia, pois é nela que encontrarás a luz de que necessitas para viver.»

Se conseguisse descrever o que sinto


Se o que sinto fosse descritível,
os sonhos deixavam de existir
e a paz já não seria um fim a atingir
e toda a muralha era transponivel

Se descrevê-lo me fosse possível,
iria além dos propósitos do sentir,
além da alma, um mundo a descobrir,
um compasso de sensações vivivel

Se adorar-te somente me bastasse,
não sentiria esta necessidade
de te ter presente bem junto a mim

E se na tua alma querida tocasse
desvastaria mundos de saudade,
por isso vem, que eu só estou bem assim




Quando a noite cai sobre o meu olhar
E a lua beija a minha face
O meu olhar é dominado pela paixão
Que me prende à noite infinita

Procuro no mais fundo do meu íntimo
A razão desse feitiço
Porque haveria ser escolhida
Para tão nobre missão

Pelas estradas sóbrias, isentas de luz
Sigo solitária meu caminho
Escutando a voz dos meus paços
E aquela sensação de haver alguém
Dá-me a vitalidade para continuar a andar

Recordo tudo o que abdiquei
E interrogo-me s valerá a pena
Desperdiçar uma vida
Viver um massacre
Por amor a uma crença

O medo de fracassar apodera-se de mim
Vejo-me tentada a largar a espada
Render-me às súplicas da carne
Que não aguenta mais dor

O céu escurece negando-me a luz
Correm-me lágrimas pelo rosto
E vejo-me envolvida em mais um acto de puro masoquismo
Em que todo o ódio, toda a raiva
É expelida por esta alma
Tão já farta deste corpo fraco

Mais uma vez tenho de escolher
A carne ou o espírito
Ter de abdicar de uma das partes
Para satisfazer totalmente a outra

Relembro os meus companheiros
Que não aguentaram a pressão
A dedicação absoluta ao espírito
As ínfimas dores da carne
Que para não desonrarem os seus valores
Entregaram a sua espada à Morte
Vêm-me à memória nobres corações
Que em prol de um valor
Morreram em sua defesa
Manchando as espadas dos oponentes

Rainha da Saudade


Mendigando pela noite sóbria
Umas vezes só, outras acompanhada
Choras essa tua solidão invejada
Para aquele que te olhava e sorria

E lá encantas com a tua cortesia
Essa beleza pura, apaixonada
Sem pudor, nesse mar negro banhada
Alucinando aquele que te espia

Eterna musa, rainha da saudade
Por uns amada, por uns temida
Sempre mostraste tua sinceridade

C’a fortuna nessa cumplicidade
Já está a roda da fortuna possuída
Somente a Lua c’a sua mutalidade

Eu não sou nada, do nada vim, ao nada voltarei.

Melissa Poseidon

Agerasia


Sonhos violetas, sonhos de algodão
Sonhos são flores junto ao litoral
Sonhos de amor, orvalho matinal
Sonhos, a esperança da solidão

Sonhos de prata, luar de condão
Sonhos são o devasso virginal
Sonhos de liberdade, lua imortal
Sonhos, a luz no meio da escuridão

Sonhos, um arco-iris crepuscular
Vermelhos, azuis que importam as cores
Se é de Morfeu que temos tal virtude

Sonhos, o opio de eterna juventude
Como se pode ousar os subjugar
Em função de rotina e temores
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